
História da Música Popular Brasileira
Victor Creti Bruzadelli e Rainer Gonçalves Sousa
Em produçãoSobre o livro
Poucos elementos ajudam a compreender a história do Brasil tão bem quanto a música popular: em cada canção estão disputas políticas, transformações sociais, projetos de nação e diferentes maneiras de interpretar o país. Este livro percorre os principais gêneros e movimentos da música brasileira em diálogo permanente com a História, mostrando como o samba participou da construção da identidade nacional, como a Bossa Nova dialogou com o projeto de modernização, como a Tropicália desafiou convenções culturais e como o rap, o manguebeat e o funk trouxeram novos protagonistas e novas formas de narrar a sociedade brasileira. Aqui a canção não é trilha sonora, e sim fonte histórica. A leitura vem acompanhada de playlists, análises de canções e de obras de arte, filmes, documentários, exercícios e videoaulas, e serve tanto a quem quer entender o Brasil por suas canções quanto a quem se prepara para vestibulares e para o ENEM.
Informações da edição
- Edição
- 2ª edição
- Ano
- 2026
- Editora
- Bastilha Livros
- Cidade
- Goiânia
Onde comprar
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Sumário
- Indústria Cultural e a indústria fonográfica no Brasil
- Samba: a invenção da música "nacional"
- As músicas dos sertões
- Bossa Nova: Brasil tipo exportação
- Música de protesto: a politização da música brasileira
- As aventuras da Jovem Guarda
- Tropicália: antropofagia, guitarras e muito mais
- O negócio é a diversidade: os anos 70 e a consolidação da indústria fonográfica no Brasil
- Brock: juventude, revolta e prazer
- Rap e Manguebeat: a periferia invade o mercado
- Funk carioca: do mundo pros morros, dos morros pro mundo
Trecho para leitura
Capítulo 8 — O negócio é a diversidade: os anos 70 e a consolidação da indústria fonográfica no Brasil
A vitória de “BR-3” tornou Tony Tornado uma figura nacional, e é preciso considerar o que exatamente o público via na tela. O cantor havia passado anos nos Estados Unidos, onde entrou em contato com o movimento pelos direitos civis e com a black music, e voltou trazendo consigo o cabelo black power, as roupas coloridas e uma gestualidade de palco que não tinha equivalente na televisão brasileira. A pesquisadora Amanda Palomo Alves observa que esse corpo em cena era, por si só, uma afirmação política, e registra um episódio revelador: ao desembarcar no Rio de Janeiro em 1969, de terno amarelo e sapatos coloridos, Tornado foi levado ao DOPS, enquanto os policiais ironicamente o chamavam de “marciano” (ALVES, 2010, p. 67). O cabelo, nesse contexto, deixava de ser questão de estilo e passava a funcionar como declaração.
Paralelamente, formava-se uma geração de intérpretes que fariam soul em português. O caso mais importante é o de Tim Maia, que viveu nos Estados Unidos ainda na juventude, lançou compactos sem repercussão no fim dos anos 1960 e finalmente estreou num LP com seu nome em 1970. Esse disco, inclusive, costuma ser apontado como fundador do soul brasileiro. Ao seu lado estava o guitarrista e compositor paraibano Cassiano, egresso do grupo Os Diagonais, autor da balada “Primavera” (1970) e responsável por boa parte da sonoridade daquele primeiro álbum. Mais tarde ele assinaria o seu próprio disco: Cuban Soul: 18 Kilates (1976).
Nesse contexto Jorge Ben já era um artista importante, tendo renovado a música brasileira em discos como “Samba Esquema Novo” (1963), “Força Bruta” (1970), “A Tábua de Esmeralda” (1974) e “Gil & Jorge: Ogum, Xangô” (1975), em parceria com Gilberto Gil. A sua música já incorporava elementos de músicas africanas e afro-diaspóricas, mas foi com o disco “África Brasil” (1976) que a cultura funk e soul dos EUA ficou mais evidente. Num primeiro plano, o disco traz instrumentos elétricos, promovendo um encontro entre a estética afro-brasileira e a batida do funk. O que Tim Maia, Cassiano e Jorge Ben trouxeram não foi apenas um repertório novo, mas um modo diferente de usar a voz, herdado do canto das igrejas negras norte-americanas. Dele vinham os gritos, os rasgos e o costume de esticar uma única sílaba por várias notas, recursos que passavam agora a ser aplicados ao ritmo e à acentuação da língua portuguesa.
Autores e colaboradores

Victor Creti Bruzadelli
Graduado e mestre em História pela UFG e graduado em Artes Visuais pela mesma instituição. Na graduação em História, pesquisou a música regionalista em Goiás e, no mestrado, explorou o tema da Tropicália. Desde 2022 produz podcasts com temáticas ligadas à história — Rádio Guilhotina, O Pequi e os vermes: micro-histórias de Goiás (em parceria com a UEG) e Machado: um conto —, o que impulsionou a criação do Bastilha Estúdios.
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Rainer Gonçalves Sousa
Graduado e mestre em História pela UFG e doutor pela Unesp de Franca. No mestrado, estudou a obra de Bezerra da Silva e, no doutorado, o escolhido foi o Zé Rodrix. Desde 2011 dá aulas no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG — Câmpus Goiânia). Organizou também o livro Nas trilhas do rock: experimentalismo e mercado musical (2018).
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BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira: para vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Bastilha Livros, 2026.
Erratas e atualizações
Nenhuma errata registrada até o momento.
Última verificação: agosto de 2026.
