
A igreja do diabo
Narração
Conto “A igreja do diabo”, de Machado de Assis, publicado na Gazeta de Notícias em 12 de fevereiro de 1883, presente no livro Histórias Sem Data (1884), lido por Victor Creti.
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O que dizer de um conto em que o próprio Diabo quer fundar (e funda) uma Igreja? Depois de avisar a Deus sobre sua empreitada, o Diabo segue espalhando sua doutrina “nova e extraordinária” prometendo a seus futuros discípulos “as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos” e reabilitando os pecados capitais. Destaque dado à venalidade: “direito superior a todos os direitos” e à negação absoluta da solidariedade humana: “o amor ao próximo era um obstáculo grave à nova instituição”. O Diabo abandona sua Igreja depois de constatar que seus fiéis “às escondidas, praticavam a antigas virtudes.” Trêmulo de raiva, procura Deus que, em sua “infinita complacência” evoca a “eterna contradição humana”. Imagino a cara de tacho do Diabo...tal e qual a nossa. A fortuna crítica sobre este conto faz muitas perguntas: Seria a empreitada diabólica um projeto de fundamentos liberais levado ao limite? Como dar conta da metáfora das franjas? Os fiéis voltam à antigas virtudes judaico-cristãs para fugirem do caos moral da Igreja do Diabo? Ou para se aliviarem da culpa? As virtudes conhecidas como tais não passariam de ferramentas usadas ao sabor das conveniências individuais? Basta inverter a chave, ou melhor, o avesso não acaba equivalendo ao direito? Para conversar sobre esse conto, convidamos o Bruno Malavolta, professor de literatura e poeta. O Bruno chama a atenção para um jogo conceitual e dialético de oposições, em que o contraste Deus/Diabo, é só o mais evidente dos exemplos. Segundo ele, esse mecanismo de oposições em movimento - Brasil/Europa, Tradição/Ruptura, Filosofia/Literatura, Bem/Mal, Verdade/Mentira, Virtude/Vício - estrutura a narrativa como também o entendimento do conto.
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